Mefisto - Klaus Mann
Dica: ao ler, vale uma premissa necessária para tudo na vida: paciência e persistência. Novamente verifiquei a importância de tais atitudes ao ler o romance Mefisto (1936), de Klaus Mann . A princípio, me assustei com o tom do prólogo, extremamente caricato em sua descrição de uma festa de aniversário suntuosa do primeiro-ministro da Alemanha. Primeira aparição do protagonista do romance, Hendrik Höfgen, um ator que alcança o auge durante o regime nazista, nas primeiras páginas surge uma escrita com um tom exageradamente maniqueísta, programático, algo que seria justificado pelo momento histórico de combate ao nazismo em que a obra foi escrita. Mas, mesmo com tal álibi, no momento da leitura desconhecido, esteticamente o efeito não é dos melhores. A vontade é de não ler o resto do romance, afinal, pressente-se que será um desfile de acusações ao nazismo e retratos estereotipados de vilões, sem preocupação de aprofundar as personagens e problematizar a situação. No entanto, é só impressão. No capítulo seguinte já há um flash-back para o começo da carreira do ator, antes da ascensão do nacional-socialismo, no qual a narrativa toma um registro menos passional e o narrador – excetuando alguns momentos de indignação lírica destacados pelo próprio em itálico – passa a ser mais objetivo e distanciado, sem deixar de marcar sua oposição contundente às opções éticas do ator sem caráter, ex-comunista de fachada que vira colaborador "cultural" do regime ditatorial de Hitler. Não é uma obra à altura dos romances do pai do autor, Thomas Mann, talvez nem do tio do autor, Henrich Mann, mas vale a leitura pelo retrato do protagonista, sujeito sem crença alguma além de sua glória pessoal, e da sociedade alemã em seu funesto pacto com o mal, representado pela irracionalidade do nazismo. Se tivesse fechado o livro definitivamente após o prólogo, teria perdido uma grande experiência de leitura. Obs.: a edição que li não trazia muitas informações sobre a obra, além de ser baseada num caso real, o do cunhado do autor, de ter sido censurada na Alemanha e, posteriormente, adaptada para o cinema em 1981, ganhando o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Depois fiquei sabendo do histórico do romance (ao ler, não sabia que tinha sido escrito no "calor da hora", achava que era posterior), dos motivos de sua censura na Alemanha (um processo nebuloso, sob o argumento de difamação ao ator real, com cara de resquícios de simpatia ao nazismo, mesmo após a queda do regime de Hitler) e até da suposta opção sexual do trio Klaus, Érika (irmã) e Gustav (cunhado – o ator), todos com inclinações homossexuais. Nada que tenha modificado a essência da leitura feita anteriormente, mas informações que ajudam a compreender o tom de palanque de trechos do romance, algumas passagens ambíguas sobre o comportamento sexual do protagonista e o quanto o pensamento nazista ainda é uma ferida mal cicatrizada, resistente em ideias racista recorrentes, por exemplo, em momentos de crise como o atual.
Escrito por Kleber Pereira dos Santos às 11h19
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Mercadante
Eu votei . Na época, parecia ser a melhor opção... Vergonha. Decepção antiga, desde a abstenção no caso Renan... Por isso, 2010 só votarei no "number of the beast", se nenhuma legenda roubar tal combinação demoníaca (Presidente e Governador: 66, Senador: 666, Dep. Est.: 66666 e Dep. Fed.: 6666).
Escrito por Kleber Pereira dos Santos às 20h34
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