On the road
Recentemente li um clássico. Não sei se a palavra "clássico" é adequada para um romance que pretendia romper com as normas clássicas do romance, ser uma contravenção, contudo, se considerarmos apenas a notoriedade e a resistência ao tempo para classificar obras como clássicas, é um clássico. Estou falando do romance beat On the road, de Jack Kerouac. Um texto delicioso, inquieto, com um ritmo tão alucinante quanto ao da vida de Dean Moriarty, o amigo do narrador-protagonista Sal Paradise, mais protagonista do que o próprio narrador. Apesar de ter sido lido como um hino ao desbunde pela geração 60, esse romance de 1957 não é uma propaganda, uma defesa, de um estilo de vida underground. As vidas das personagens naturalmente vão se dirigindo a tal alternativa, pela total inadequação ao padrão burguês consumista do "american way of life". E tal opção é vivida com momentos de enorme euforia, noites recheadas de bebidas, jazz, sexo, drogas e emoção, intercaladas com longos períodos de tédio, tristeza, sensação de vazio existencial nas beiras de estradas desertas ou em cidades em que não gostariam de estar. Um estilo de vida andarilho movido pela certeza de não gostarem da vida certinha e estável que deveriam levar e, principalmente, pela total indecisão sobre qual outra opção poderiam ter para substituir tal futuro que não desejam. Durante a leitura, lembrei bastante dos "beats" da Unesp de Assis que conheci quando lá estudei e com os quais convivi na moradia universitária, nos idos de 1999-2000, principalmente do Daniel (típico Dean, escritor e maluco) e do Alexandre (grande leitor desse tipo de literatura). Não sei se hoje continuam tentando levar uma vida com teor "beat" ou se estão na batalha da sobrevivência, empregos, família, a luta diária dentro do Sistema antes odiado... ou se tentam conciliar alguns aspectos de tal visão com as necessidades do cotidiano. Quem sabe?
Escrito por Kleber Pereira dos Santos às 11h12
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