De alianças
Não há uma forma ideal de aliança. Na própria Bíblia, o tido como mais que perfeito adotou diversos modos de simbolizar sua reiterada fidelidade, seu compromisso para com inconstantes turbas humanas, sua paixão sem sentido por um espelho fragmentado e, talvez, distorcido de si mesmo. De uma singela ilusão de ótica no céu após longo período de cruel dilúvio ao sangue derramado numa cruz em que estaria seu próprio ser transmutado em carne; distintas maneiras de insistir num pacto, muitas vezes quebrado pelas tentações do mundo. O que não muda, o que deve ser mantido, mesmo nos momentos em que tudo conspira para o rompimento do contrato, sem pagar multas, para soltar pragas no Egito, para destruir em acessos de ira as construções irracionais da ambição humana, os ídolos de bronze, os comerciantes do templo, é uma incondicional e inexplicável esperança no poder transformador do amor. Seja coroado do mais caro brilhante ou apenas um simples metal folheado por fina camada dourada, o que está por trás é essa crença em que podemos ser melhores juntos, na busca por algo maior, do que isoladamente.
Escrito por Kleber Pereira dos Santos às 21h22
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